Para o dramaturgo irlandês, Oscar Wilde, "o caminho dos paradoxos é o caminho da verdade".
Wilde estava sempre à frente do seu século. Porém, seus pensamentos só tomaram grandiosa forma e tornaram-se então, dialéticos e profundos com o descobrimento da dor.
Após 2 anos na prisão, por ter declarado publicamente sua homossexualidade e as relações sexuais que mantinha com o Lord Douglas na época, Oscar Wilde foi renegado pelos filhos e pela sociedade.
Foi nesse obscuro cenário, que o dramaturgo passou a assumir o seu grande papel, dando origem ao monólogo de 150 páginas chamado “De Profundis” e também ao livro "Albert Camus", a mais bela expressão do sofrimento de um homem.
A dor levou Wilde à buscar no limite de suas possibilidades o sentido da sua existência, o aproximou da intensidade humana, tornando a vida discípula da sua arte.
“O meu erro, confessa, foi o de me confinar exclusivamente às árvores do que me parecia o lado soalheiro do jardim e de fugir do outro lado, devido às suas sombras e obscuridades.”
E acrescenta esta frase que volta como um refrão:
“O vício supremo é a superficialidade. Tudo aquilo de que tomamos consciência está certo.”
A busca da verdade através do paradoxo foi o caminho que, aparentemente Wilde seguiu na sua obra, apresentada em diálogos algumas vezes exaustivos no exagero do uso paradoxal, que resultou não somente dos seus próprios conflitos, mas também do início de um século vanguardista, como definiu Marco Antonio M. Cardozo Chaga:
No final do século XIX, Oscar Wilde procurava estabelecer algumas correspondências entre o que ele chamava de "Decadência da Mentira", neste caso referindo-se à arte, e o fenômeno da crença exagerada num certo realismo, que corrompia e destruía qualquer possibilidade da existência da Mentira, conseqüentemente da arte, como o escritor a compreendia.
Possivelmente, Wilde já vislumbrava algumas características da produção artística das vanguardas do início do século, e talvez ele tenha contribuído bastante para que estas vanguardas existissem.

