Participei do Núcleo de Dramaturgia para Novos Autores do SESI em parceria com o Conselho Britânico, que ocorreu nos dias 16, 17 e 18 deste mês com o dramaturgo inglês Noël Greig.Nas discussões, por Noël Greig propostas ao núcleo de novos autores, surgiram grandes indagações do grupo em torno da renovação da linguagem do teatro e uma busca por produções atuais que revelem de maneira visceral o contemporâneo.
Em uma das discussões, Noël deu ênfase à importância da palavra no teatro, podendo ser a valorização desta, o grande ponto de diferenciação entre a linguagem cênica e a cinematográfica. Disse ele: O "lugar" onde acontece o novo é na linguagem, é no uso da palavra.
Suponhamos então que, o novo autor terá neste momento que optar talvez por um processo de despreendimento da palavra, esta vista como imagem e som , buscando novamente a essência no seu significante mais profundo, usando-a de maneira intuitiva e reveladora, em direção à uma construção cênica integral, trazendo implícito a sua maior intenção e contribuição para o novo teatro.
Noël também ressaltou o fator colaborativo da participação dos atores na criação. Uma criação colaborativa, segundo ele, é mais produtiva e capaz até de levar o autor a explorar novas possibilidades da palavra no seu uso experimental, através da encenação ainda dentro do processo.
Pensando nesta possibilidade, de renovação da linguagem e o encontro do Teatro Contemporâneo, voltamos um pouco para o século XIX, onde o teatro de Scribe e seus seguidores não arriscava deixar as tramas óbvias e caricaturais serem atingidas e influenciadas pelas mudanças culturais e sociais da época, até que Ibsen, precursor da dramaturgia moderna, trouxe ( irei usar agora as palavras de John Gassner ) " ... idéias de ampla relevância para o homem moderno e então as projetou num desafio aos tabus convencionais."
Deixo também nesse post a frase do dia:
Brand ( Ibsen ) declara: " Se você não pode ser o que deveria, então seja cabalmente o que você pode ser ".

